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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O que aprender com as grandes empresas

 
As lições ensinadas por seis programas de grandes empresas que capacitam negócios emergentes em áreas como recursos humanos, gestão e controle de qualidade.

É cada vez mais comum que grandes empresas destinem uma parte de seus lucros para manter programas de capacitação de seus pequenos e médios clientes e fornecedores. O objetivo delas é tornar mais competitivas e eficientes as cadeias produtivas nas quais elas representam um elo fundamental.

"Competitividade não é mais algo que uma empresa conquista sozinha", diz Paulo Vicente Alves, professor de estratégia da Fundação Dom Cabral. "Todos dependem de todos para a engrenagem funcionar."

Ter fornecedores que vendem produtos ou serviços de qualidade, que não têm problemas de fluxo de caixa e que não atrasam nas entregas virou coisa muito séria. Na outra ponta, os clientes — principalmente os que formam os canais de vendas — precisam trabalhar com eficiência máxima.
Pão de Açúcar, Suvinil, Cisco, Yamana, Carrier e Tigre são exemplos de companhias que ajudam negócios emergentes em aspectos fundamentais de gestão. 

Não muito tempo atrás, clientes e fornecedores eram, por natureza, inimigos que ficavam brigando na mesa de negociação. A beligerância — que ainda existe — vem cedendo espaço para iniciativas de paz e amor. Os programas que aparecem nesta reportagem são bons exemplos da nova tendência.
O Pão de Açúcar ensina pequenos produtores de alimentos orgânicos a controlar a qualidade antes mesmo que eles se tornem fornecedores. A Cisco ajuda suas revendas a contratar e treinar pessoas num setor em que os bons profssionais são disputados no tapa, o de TI.

Veja a seguir as histórias de seis pequenas e médias empresas que se beneficiaram de programas como esses para melhorar a qualidade, traçar processos eficientes, fazer o plano de sucessão, contratar e treinar pessoas, girar mais os estoques e vender pelo melhor preço. Aprenda com elas.

E m 2002, quando assumiu a empresa da família, o paulista Roberto Hideki Umeda, de 41 anos, decidiu mudar a estratégia do negócio. Na época, seu pai resolveu se aposentar e passar para ele o comando da Direto da Serra, uma pequena produtora de verduras de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.

Umeda abandonou a plantação tradicional de verduras para se dedicar à produção de alimentos orgânicos, que precisam ser cultivados sem o uso de agrotóxicos e fertilizantes. "Era um mercado ainda incipiente no país e parecia bastante promissor", diz Umeda.

O objetivo primordial era melhorar as margens da empresa. "Nos supermercados, uma alface orgânica chega a custar o dobro de uma comum." Desde o início, a intenção de Umeda era vender para grandes redes de supermercados e ganhar escala.

Em 2003, ele procurou o Grupo Pão de Açúcar. A empresa convidou a Direto da Serra para participar de um programa chamado Qualidade Desde a Origem. Num primeiro momento, especialistas visitam os aspirantes a fornecedores para ensiná-los a atender os requisitos exigidos pela rede.

"Numa fase mais avançada, orientamos os produtores a padronizar a fabricação", diz Sandra Saboia, gerente comercial do Pão de Açúcar. "Para nós, a qualidade não está necessariamente numa mercadoria com mais recursos ou num serviço mais sofisticado", afirma Sandra. "É a garantia de que vamos receber sempre o mesmo produto em condições idênticas."

Para ser vendido ao supermercado, cada tipo de verdura precisa ter determinado tamanho, calibre, peso mínimo e grau de maturação. "Uma alface precisa ter uma abertura tal que, quando embalada, não pareça menor do que as demais, um problema frequente em hortas comuns", diz Umeda.

No caso da Direto da Serra, os técnicos do Pão de Açúcar ajudaram Umeda a padronizar processos, como a adubação da terra, a forma de colheita e a embalagem dos produtos — antes, cada funcionário fazia tudo de seu jeito. "Para chegar a essa condição, estabelecemos períodos fixos de colheita para cada variedade de vegetal".

Depois de entrar no programa, a Direto da Serra passou a vender para 40 lojas do Grupo Pão de Açúcar e conquistou outros clientes, como o supermercado paulista Santa Luzia e as lojas brasileiras da rede suíça de restaurantes Not Guilty, especializada em saladas.

Em 2013, a Direto da Serra prevê faturar 9 milhões de reais — o dobro de 2012. A qualidade é um fator de competitividade primordial. Na edição de 2010 do estudo anual que traz a lista das pequenas e médias empresas que mais crescem, da consultoria Deloitte em parceria com Exame PME, mais de 70% dos empreendedores apontaram a qualidade como pré-requisito para participar de cadeias produtivas de setores promissores.

"O desafio é manter a qualidade em grande escala sem extrapolar os custos", diz Márcio Iavelberg, da Blue Numbers, consultoria em finanças de pequenas e médias empresas.

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